RELAÇÃO ENTRE A VIDA URBANA E PROBLEMAS MENTAIS

Trânsito; poluição atmosférica, sonora e visual; lixo pelas ruas; pessoas apressadas e transportes públicos lotados – a vida nas grandes metrópoles é extremamente estressante.

Porém, as oportunidades de melhores empregos e um salário mais vantajoso fez com hoje mais da metade da população mundial viva nos centros urbanos.

Entretanto, um ponto importante é que o aumento da população nas grandes cidades é proporcional ao aumento do número de distúrbios psicológicos ao redor do mundo, além do mais, o estilo de vida nesses locais é extremamente propício a isto.  

Confira a seguir a relação entre a vida urbana e problemas mentais.

problemas mentais
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Não é inédito que psicólogos sugerem que a vida nas grandes metrópoles cobra um alto pedágio emocional.

Tanto que estudos indicam que as chances de um jovem que vive em centros urbanos desenvolver transtornos mentais; é de duas a três vezes maior do que indivíduos que vivem em regiões mais afastadas.

As pessoas se comunicam menos, se cobram mais além de estarem rodeados de medos devido a intensa violência e criminalidade.

Confira a seguir situações que as pessoas enfrentam nas grandes metrópoles e como isto influencia no desenvolvimento de problemas mentais.

MENOR INTERAÇÃO ENTRE AS PESSOAS

O agitado e caótico ambiente urbano faz com que as pessoas mal tenham tempo para se olhar ou para perceber o que acontece a sua volta.

Nós ficamos muito focados no trabalho, estudo, projetos e acabamos nos isolando e vivendo dentro de nosso próprio Universo.

Fora isto, a amplo acesso a tecnologia e outros meios de comunicação faz com que a interação física seja muito menor, interferindo nos relacionamentos pessoais e familiares.

Todos esses aspectos contribuem para um isolamento. As pessoas se abrem menos e se escondem mais.

Com o tempo, esse comportamento pode favorecer o desenvolvimento de depressão.

Este mal é tão comum hoje em dia que fez com que a depressão fosse considerada a doença do século XXI.

Esse isolamento constante também favorece maiores índices de suicídio, já que as pessoas se sentem presas para conversar sobre os seus problemas e têm dificuldade em lidar com eles.

MUITA COBRANÇA

A vida urbana está submedita a pressão e cobrança constantes, principalmente no que se refere ao trabalho.

No ambiente profissional frequentemente é exigido metas, rapidez, eficiência e 0% de erros.

Todo este estresse gerado pelas cobranças faz com que o seu acúmulo gere adoecimento e impacte na forma com o qual nos relacionamos; predispondo dependência alcoólica, ansiedade crônica, infertilidade, impotência sexual e Síndrome do Pânico.

Entre os sinais e sintomas do estresse profissional estão esgotamento emocional, raiva, irritabilidade generalizada, insônia, ansiedade, aumento da pressão arterial e enxaqueca.

Fora as exigências profissionais, o ambiente urbano também favorece uma rígida cobrança pessoal.

Constantemente queremos ser o mais eficientes o possível, sempre obtendo bons resultados e anulando toda e qualquer tipo de falha. Caso não alcança-se as expectativas de eficiência, tanto na vida profissional quanto pessoal, isto pode gerar frustração, sensação de impotência e baixa autoestima, predispondo o desenvolvimento de depressão.

ESTERIÓTIPOS E PADRÕES DE BELEZA

padroes de beleza
Imagem de Adina Voicu por Pixabay

Nas grandes metrópoles, constantemente o cinema, a televisão, as propagandas e marketing assim como as revistas incentivam e definem os padrões de beleza, influenciando com que os indivíduos, principalmente as mulheres, busquem de maneira incansável um corpo excessivamente magro.

Caso as pessoas não se enquadram nesses padrões, elas sofrem preconceitos e julgamentos.

Toda esta paranoia imposta pela mídia nas grandes cidades em se encaixar nesses estereótipos, influenciam no desenvolvimento de distúrbios alimentares como anorexia e bulimia.

Estas doenças tem origem psíquica e, de maneiras distintas, fazem com que os indivíduos afetados busquem um corpo extremamente magro para se enquadrar nos padrões de beleza.

ALTA COMPETITIVIDADE

De certa forma, uma competitividade moderada pode criar um ambiente de inovação e empreendedorismo.

A grande questão é que as metrópoles exigem uma competitividade desenfreada, sem precedentes.

No que se refere ao ambiente profissional, isso pode fazer com que os funcionários sempre se vejam como inimigos, gera um intenso revanchismo entre empresas que possuem interesse em comum, gera dificuldade em formar equipes de trabalho que consigam se desenvolver bem em grupo, aumenta as fofocas e as pessoas passam a falar muito mal das outras, sem empatia e consideração pelo próximo; incentiva um trabalho antiético a fim de fazer qualquer coisa para alcançar as metas além da pressão intensa para alcançar os objetivos fazer com que o respeito com o outro seja deixado de lado.

Esta alta competitividade nos deixa cegos e nos fazem percorrer em uma única direção. Isto pode predispor problemas afetivos e emocionais, depressão e Síndrome do Pânico.

A VIOLENCIA CONSTANTE

A violência está presente de maneira generalizada em todos os lugares. Porém, nas grandes cidades isto ocorre de maneira muito mais intensa.

Quem vive nas metrópoles sofre um medo constante com a criminalidade. A violência é recorrente nos centros urbanos a ponto de fazer parte do dia a dia.

Principalmente, quando todos os meios de comunicação transmitem o assunto violência de maneira maçante. Isso tem apresentado um custo psicológico alto para a sociedade.

Além disto, a grande maioria das pessoas quando passa por uma situação de violência; acaba não superando por completo, pois constantemente este trauma continua a espreita, já que vive-se em contato direto com a criminalidade.

Seja ela urbana, profissional (assédio moral dentro do ambiente de trabalho), familiar e contra as minorias sociais, a violência está presente.

Essas situações podem gerar estresse pós-traumático, depressão ou ser um engate para a aparição de esquizofrenia e transtorno bipolar.

VALORIZAÇÃO EXCESSIVA DO DINHEIRO

Dinheiro
Imagem de TheDigitalWay por Pixabay

Este não é apenas um problema dos centros urbanos, mas sim é uma objeção imposta pela sociedade em que estamos inseridos.

“Tempo é dinheiro”, “O dinheiro faz o mundo girar”, lucro e mais lucro – são esses os embasamentos que conduzem a nossa sociedade.

A ambição extrema com o dinheiro faz com que as pessoas queiram mais e mais, além de ser uma forma de se encaixar e se destacar na sociedade.

Quem tem poucas condições econômicas são excluídos, considerados marginais e inferiores.

Toda essa pressão e valorização intensa do dinheiro contribuem para o desenvolvimento de depressão, angústia constante e Síndrome do Pânico.

A cidade pode prejudicar muita a saúde mental das pessoas. Como já dizia Rousseau “O homem nasce bom e livre; e é corrompido pela sociedade”.

Precisamos buscar equilíbrio neste ambiente e ser uma flor de Lótus em meio ao pântano.